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Letra Éme

uma série de devaneios meticulosamente desordenados

Letra Éme

uma série de devaneios meticulosamente desordenados

Dom | 06.09.20

Moderadamente viva

M.
Três meses depois do último post, a pessoa vem só aqui dizer que está viva. Moderadamente viva. Só quando sair de casa sem uma máscara na mão é que me vou sentir bem viva outra vez.  Nos entretantos, já matei algumas saudades de Lisboa. Não muitas, apenas as possíveis. Já fui de férias (cá dentro), fiz muita praia e li com a ânsia de terminar todos os livros de todas as bibliotecas do mundo. Também comi gelados como se não houvesse amanhã. Depois, regressei. A minha (...)
Qua | 03.06.20

Para Lisboa, com saudade

C(o)rónicas de Quarentena #5

M.
Começou pelas pessoas. Na hierarquia de importâncias, as pessoas têm de vir primeiro e assim foi. Embora umas mais do que outras, as pessoas foram marcando presença nesta temporada atípica.  Então e a cidade, a minha cidade? Como se comunica com uma cidade sem sair de casa? Não se comunica. A cidade não tem número para telefonar, nem uma só morada para onde escrever. A cidade não faz vídeochamadas. Quanto muito, vamos vendo, à distância, pedaços que alguém fotografou ou (...)
Sex | 17.04.20

Já passaram cinco semanas

C(o)rónicas de Quarentena #4

M.
Lembram-se quando vos contei aqui que estava em casa há duas semanas?  Já se passaram cinco. Podia dizer-vos que estou transformada numa pessoa melhor e que estou altamente produtiva e criativa. Afinal não é isso que as frases bonitas que vemos por aí pregam todos os dias? Eu adoro ser positiva e esperançosa mas antes disso gosto de ser (...)
Ter | 14.04.20

Crochet pandémico

C(o)rónicas de Quarentena #3

M.
A minha mãe decidiu que queria fazer crochet.  Já não fazia há muito tempo, tem saudades de algo que não a obrigue a ficar agarrada a um ecrã (como a compreendo!) e, vai na volta, começou a remexer em tudo quanto são caixas e caixinhas, à procura do material. Encontrou as agulhas e um pequeno novelo branco. À partida servia para treinar. Acontece que a minha mãe é uma pessoa extremamente jeitosa em tudo o que envolve trabalhos manuais, o que me faz questionar se serei (...)
Sex | 10.04.20

Devíamos ser mais como os peixes

M.
Em tempos de quarentena, quero partilhar um belíssimo excerto de um dos últimos livros que li: a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe. Valter Hugo Mãe é um dos meus escritores favoritos já há alguns anos, pela forma realisticamente poética como se expressa sobre aquilo que é a vida, o amor e o sofrimento. Neste livro, conhecemos o senhor Silva que depois de ficar viúvo, aos 84 anos, vai viver para um lar. Durante este período, para além de pensar na sua vida e de (...)
Seg | 30.03.20

Ver o verão por um canud-, perdão, ecrã

C(o)rónicas de Quarentena #2

M.
Entrámos no horário de verão!!! Sim, eu vibro com isto, é coisinha para estar assinalada no meu calendário e tudo. Na verdade, todo o meu calendário de Março era extremamente promissor. Uma formação na área da Meditação, uma viagem a Amesterdão, jantares, passeios, exposições, aniversários... e ali no último domingo do mês, a lembrança da mudança de horário. Dá sempre aquele calorzinho só de pensar em dias maiores, mais horas de sol, mais fins-de-tarde para saborear. A (...)
Sex | 27.03.20

Duas semanas de quarentena, and counting

C(o)rónicas de Quarentena #1

M.
Faz hoje duas semanas que cheguei a casa e pousei portátil da empresa na minha secretária, ainda de cabeça a andar à roda com muitas dúvidas sobre como é que isto da quarentena ia ser.  Houve um tempo em que trabalhei em casa, a paginar livros para uma Editora, corria o belo ano de 2014. Não foi há uma eternidade, mas juro-vos que para mim, foi numa vida passada. Na altura, não adorei ficar em casa.  Tinha acabado de sair de um projeto em que entrevistava turistas no (...)
Ter | 17.09.19

Somos todos pessoas

M.
  Já pensaram no medo que temos em falar com estranhos na rua?  OK, os extrovertidos poderão responder "medo? que medo?". Ótimo para vocês, a sério. Comigo não é assim e sei que não estou sozinha neste tema. Sinto uma certa desconfiança, um desconforto que me faz evitar trocar mais do que o ar que nos rodeia.   Há uns dias fui abordada, praticamente à porta de casa, por uma pessoa que me pediu indicações em inglês. Eu respondi educadamente e expliquei-lhe as direções. (...)
Dom | 15.09.19

Uma Educação - Tara Westover // Opinião

M.
O que é a Educação? De que forma é que pode influenciar-nos ao longo da vida? Pode haver mil e uma respostas a estas questões, mas garanto-vos que vale a pena conhecer as de Tara Westover. Uma Educação é a história de uma menina que nunca foi vacinada, não tinha certidão de nascimento e só entrou numa escola aos 16 anos de idade. Tara cresceu no seio de uma família numerosa, empreendedora e imensamente agarrada às suas ideologias, que vão muito além da religião - o Mormonismo. Devo dizer que gostei muito da
Qui | 08.08.19

O Milagre da Manhã

M.
Há um lugar, na minha rua, onde gosto especialmente de ver o sol nascer. Talvez ninguém lhe ligue nenhuma, a verdade é que alvorada após alvorada não vejo vivalma a passar por ali. Permito-me, assim, sentir que sou espectadora única, sortuda, afortunada, privilegiada por assistir a este espectáculo ao vivo e a cores - e que cores! Sempre fui fascinada pelo pôr do sol, mas o amanhecer está a roubar-me o coração a cada novo dia e o seu poder é inegável. Decidi começar a (...)