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Letra Éme

Livros, viagens & devaneios

18
Fev18

Bruges // Impressões de um dia

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Sempre ouvi dizer maravilhas da pequena cidade de Bruges: "um sítio obrigatório!"; "a Veneza da Bélgica!"; "um autêntico conto de fadas!". Com muita curiosidade e expectativa, foi no Natal passado que visitei finalmente esta cidade emblemática.

 

Para um primeiro (e rápido) contacto com a cidade, decidimos fazer uma Free Walking Tour, cujo ponto de encontro era na praça principal, ou Grote Markt. Foi facílimo chegar lá porque bastou seguir a multidão durante uma caminhada de 15/20 minutos et voilá! 

  

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É impossível não nos darmos conta do Campanário (Belfry), uma torre de 83 metros construída no século XIII, atualmente património universal da UNESCO. Era aqui que se realizavam os mercados durante Idade Média, mercados estes que ganharam uma grande reputação e tornaram-se uma referência para o comércio da época. Esta torre foi então construída como símbolo de riqueza e prestígio da cidade.

 

Às 11 horas os sinos começaram a tocar ininterruptamente. Fiquei um pouco intrigada, até que o nosso guia nos explicou que aquilo que estávamos a ouvir era um concerto. Sim, imaginem, há concertos de carrilhão (este tem 47 sinos) a decorrer durante todo o ano! Quartas, sábados e domingos das 11h às 12h.

 

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O nome Bruges deriva da palavra escandinava Brygga, que significa “Porto”. É fácil fazer a associação da palavra ao motivo, pelos vários canais que fazem a ligação da cidade ao Mar do Norte, conectando-a com os países do Norte da Europa e não só.

 

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Este edifício acolhe hoje uma Guest House muito pitoresca, a Nuit Blanche. E a pequena ponte que se vê na fotografia é uma das várias Lovers Bridge. Pode-se dizer que é uma cidade muito romântica.

 

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Apesar da sua história turbulenta, esta cidade conseguiu manter os traços medievais, como se tivesse sido verdadeiramente congelada no tempo. Ao longo das horas deste dia, embalada pelas lendas que ia ouvindo, imaginei as várias personagens a ganhar vida ali diante dos meus olhos. Foi muito fácil fazer este exercício. Honestamente, difícil é acreditar que vivem e trabalham ali pessoas atualmente.

 

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Seguimos por ruas, ruelas, canais e pontes, fazendo uma pausa nos principais pontos de interesse, com uma breve explicação do nosso guia. Como podem ver, cada praça é uma explosão de pequenos detalhes, o que faz com que não existam edifícios aborrecidos.

 

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Minnewater Park foi o sítio de que mais gostei. É um lugar para respirar das ruelas estreitas e escuras, uma espécie de santuário de cisnes que segundo consta andam por ali há vários séculos.

 

Segundo a lenda, no final do século XV, o povo encontrava-se revoltado com os elevados impostos e taxas, pelo que aprisionou o Imperador Maximiliano da Áustria e condenou à morte o seu conselheiro e amigo Pieter Lanckhals. Quando conseguiu escapar, Maximiliano decretou que daí em diante a cidade teria cisnes nos seus canais. Se eu vos disser que Lanckhals significa "pescoço longo", de certeza que já conseguem entender a relação!

 

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Eis que passamos um portão que data de 1245 e entramos no Béguinage. Aqui viviam as beguinas, mulheres que se dedicavam ao cuidado dos doentes e dos mais carenciados, entre outras tarefas, sem estarem, contudo, vinculadas às leis da igreja. Eram independentes, com os seus próprios costumes e leis. E por isso eram também frequentemente procuradas para auxílio em diversas situações e conseguiram manter o seu estatuto ao longo do séculos. Ainda hoje, só habitam mulheres nestas casas.

 

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Fizémos uma pausa para o almoço no Café Vlissinghe, um refúgio perfeito para repor energias naquele dia bem frio.

 

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Este café/restaurante tem um ambiente muito familiar e acolhedor. Apesar de ser pequeno, não demorámos muito a ter mesa.

 

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Provei Witloofrolletjes met Ham, um prato tradicional da região que consiste em couve chicória enrolada em friambre com molho de queijo. Acompanhei a refeição com um copo de vinho e fiquei bem satisfeita. No total, paguei cerca de 17€.

 

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Para encerrar o dia em grande, seguiu-se um passeio de barco, que nos convidou a observar a cidade de outra perspetiva. Estes passeios custam 8€ e demoram meia hora. Pode parecer pouco tempo, mas vale muito a pena! 

 

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Toda a atmosfera mágica junto ao rio é uma verdadeira inspiração, que não me deixou largar a máquina fotográfica. 

 

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Já era de noite quando o barco regressou ao ponto de partida e aproveitámos para dar mais uma volta pela praça principal, seguindo por ruas com demasiadas tentações para os gulosos.

 

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Tanto chocolate e tanto frio estavam mesmo a pedir um chocolate quente, e até tínhamos planeado ir a um sítio com excelentes recomendações, só que... estava fechado. Este tipo de cafés encerram muito cedo, especialmente no horário de inverno. Fica o aviso, para os apreciadores de chocolate!

 

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As luzes iluminaram-se e revelaram uma decoração simples mas com gosto. E claro que não podiam faltar nem a pista de gelo nem as banquinhas de artesanato e comida.

 

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Apesar da época festiva e das suas respetivas decorações, aquilo que mais me impressionou nesta praça foram as suas casas coloridas, um dos cartões de visita de Bruges. O curioso é que estas casas não eram de membros da realeza, mas sim dos mercadores que queriam ostentar a sua riqueza, tal era a força do seu ofício naquele tempo e naquele lugar.

 

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Foi um dia muito bem passado! Talvez nem seja preciso mais do que uma manhã e uma tarde para uma cidade assim tão compacta. Se passarem por Bruxelas ou por alguma cidade dos arredores, não hesitem em dar um saltinho a Bruges. A viagem demora uma hora e custa cerca de 15 euros (ida e volta). Acreditem que vai ser mais do que uma simples viagem de comboio, vai ser uma viagem no tempo, na história e na cultura belga!

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