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Letra Éme

Livros, viagens & devaneios

17
Nov17

Começar por Isabel Allende

 

Conheci os livros de Isabel Allende por volta dos 15 anos, quando li a trilogia As Memórias da Águia e do Jaguar, composta por três obras encantadoras: A Cidade dos Deuses SelvagensO Reino do Dragão de OuroO Bosque dos Pigmeus. São histórias de fantasia e aventura, que nos transportam até diferentes cantos do Mundo (América do Sul, Ásia e África). É admirável a forma como a autora aborda desde aspetos culturais a questões sociais e ambientais, sem perder a atmosfera mágica a que nos habitua dede o início. Pela primeira vez, tive a sensação de viajar através de um livro e isso é algo que não se esquece. Desde esse momento, fiquei com um carinho especial por esta autora, por isso escolho-a para inaugurar aqui as minhas opiniões literárias.

 

Recentemente, li O Amante Japonês e posso dizer que foi novamente um prazer. 

 

Allende.png

 

 

Não são precisas muitas páginas para a escrita se tornar familiar, agradável, reconfortante. Desta vez, Allende explora acontecimentos da Segunda Guerra Mundial que habitualmente são menos abordados, tais como o período em que milhares de japoneses foram levados para campos de concentração nos Estados Unidos, após o ataque a Pearl Harbour (1941). Como é que um tema assim pode ser "agradável"? Com o amor, claro. Existe uma história de amor longa, comovente e absolutamente impensável para a época, que vai sendo desvendada à medida que conhecemos o passado de Alma Belasco.

 

Alma nasceu na Polónia, no seio de uma família judia, tendo emigrado forçadamente para os Estados Unidos quando ainda era uma criança. Aos 81 anos, vive num lar de idosos em São Francisco onde trabalha a jovem Irina Bazili, também ela com um passado turbulento que esconde a todo o custo. As duas mulheres cruzam-se por necessidade mas, lentamente, vão criando laços de confiança. Irina, com a ajuda do neto de Alma, empenhado em escrever as memórias da família, acaba por descobrir aos poucos a história de Alma e de Ichimei.

 

A autora opta notoriamente pela perspetiva de Alma, dando a conhecer muito melhor os sentimentos e a personalidade desta que é a personagem principal. Em contrapartida, não se pode dizer o mesmo sobre Ichimei... Apesar disso, sabemos o suficiente para reconhecer um amor forte e sólido, daqueles que quebra barreiras étnicas e temporais. 

 

Um dos aspetos que mais me sensibilizou nesta narrativa foi o retrato da velhice. Em vários momentos, é possível sentir a apreensão de quem vê a vida cada vez mais em retrospetiva. Dei por mim a refletir sobre a nossa própria fragilidade, sobre o quão pouco nos lembramos que esta fase da vida também existe e merece atenção. Foi uma agradável surpresa.

 

Se é o melhor livro de Isabel Allende? Provavelmente não. (Ainda quero ler A Casa dos Espíritos e Eva Luna). Mas para quem gosta de um romance de escrita simples, bonita e com alguns detalhes históricos fora do comum, é uma boa escolha, sem dúvida.

 

Veredicto final: Vale a pena ler!

 

Há por aí mais fãs de Isabel Allende? Qual é o vosso livro favorito da autora? 

 

 

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