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Letra Éme

uma série de devaneios meticulosamente desordenados

Somos todos pessoas

17.09.19

Já pensaram no medo que temos em falar com estranhos na rua? 

OK, os extrovertidos poderão responder "medo? que medo?". Ótimo para vocês, a sério. Comigo não é assim e sei que não estou sozinha neste tema. Sinto uma certa desconfiança, um desconforto que me faz evitar trocar mais do que o ar que nos rodeia.  

Há uns dias fui abordada, praticamente à porta de casa, por uma pessoa que me pediu indicações em inglês. Eu respondi educadamente e expliquei-lhe as direções. O "problema" foi quando a pessoa continuou a falar, a fazer perguntas, a querer conhecer-me. Ali, no meio da rua, daquela forma tão aleatória. Uma parte de mim queria dizer "olha, desculpa mas estou com pressa, vou andando", enquanto que outra dizia "calma, esta pessoa está só a ser simpática e a querer conversar, podias retribuir um bocado!". Assim fiz. Ainda abordámos meia dúzia de temas para um curto espaço de tempo e, para meu espanto, trocámos contas de Instagram (hoje em dia o Instagram é mesmo o novo cartão de visitas, não é?). 

Este tipo de situações não me costuma acontecer a uma segunda-feira na pausa de almoço. Até porque vivo num bairro muito pacato e já vou conhecendo as pessoas que passam na rua a determinadas horas. Mesmo assim, não é toda a gente que cumprimento. Às vezes sai um "bom dia" ou um "boa tarde", um sorriso, e segue-se caminho. Outras vezes, inexplicavelmente, até olhar nos olhos da outra pessoa custa. 

Fiquei a pensar na minha reação exagerada a uma simples abordagem sem nenhuma maldade. Afinal, não somos todos pessoas? Não comunicamos todos? Uns mais do que outros, sim, não há mal nenhum nisso. O mal está em esquecermo-nos que aqui à frente e ali ao lado passam pessoas como nós. 

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