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Letra Éme

Livros, viagens & devaneios

04
Dez17

Sputnik, meu amor - H. Murakami // Opinião

 

 

Murakami é diferente de todos os outros autores que conheço. Foi o primeiro escritor japonês que li e sinto que isso me alargou os horizontes, mas nunca pensei que fosse assim tão especial. Deixem-me mostrar-vos porquê:

Na primavera dos seus vinte e dois anos, Sumire apaixonou-se pela primeira vez na vida. Foi um amor intenso como um tornado abatendo-se sobre uma vasta planície -, capaz de arrasar tudo à sua passagem, atirando com todas as coisas ao ar no seu turbilhão, fazendo-as em pequenos pedaços, esmagando-as por completo. Com uma violência que nem por um momento dava sinal de abrandar, o tornado soprou através dos oceanos, arrasando sem misericórdia o templo de Angkor Vat, reduzindo a cinzas a selva indiana, tigres e tudo, para depois em pleno deserto pérsico, dar lugar a uma tempestade capaz de sepultar sobre um mar de areia toda uma exótica cidade fortificada. Como resistir a um inicio assim?

 

Murakami envolve-nos nas suas descrições ricas, tal como esta acima transcrita, ora brutalmente reais, ora completamente surreais. Todas elas representam pensamentos profundos sobre a vida, sobre a solidão, o amor e a nossa transformação constante. Não são temas fáceis, é mesmo preciso digeri-los, com tempo e com uma mente aberta para a imaginação do autor.

 

Fui magneticamente transportada para a vida de Sumire pela perspetiva do narrador, um jovem professor primário que vive apaixonado por ela sem ser correspondido. Sumire, por sua vez, apaixona-se por uma mulher misteriosa e bastante mais velha. E eis que temos o triângulo amoroso da história. Há algo de particular em cada uma destas personagens, porém todas têm algo muito semelhante em comum: a solidão. Deixo-vos uma das passagens que mais me marcou:

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Apesar de ser uma leitura pesada, posso dizer que não dei pelo folhear das páginas deste livro. Eu, que sou o género de pessoa que está sempre a olhar para o número da página em que vai, como quem olha para o relógio de 2 em 2 minutos.

 

Penso que entendi as mensagens fundamentais da história, refleti muito e degustei as palavras devagarinho, como achei que elas mereciam. Só não estou tão certa quanto ao desfecho, mas talvez o objetivo seja mesmo esse, o de deixar a dúvida para que ganhe a nossa interpretação.

 

Sputnik, meu amor é um livro intenso e desafiante, porque nos obriga a pensar sobre as nossas vivências, sobre aqueles momentos em que deixámos parte do nosso "eu" ir para "o outro lado" - algo que o autor retrata de forma constante.

 

Veredicto final: Maravilhoso! A leitura perfeita para fugir do romance tradicional e previsível.

 

Já alguém por aí leu este livro? O que acharam?

 

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